Comprar Imóvel com imobiliária e corretores, passo-a-passo

Quer comprar um imóvel? Confira o passo a passo para fechar o negócio

Saiba qual a melhor forma de pagar e os documentos e taxas necessários

Comprar Imóvel: É só seguir o passo a passo de um profissional especialista na área que não tem dor de cabeça (Shutterstock)

Comprar Imóvel – Achou o apartamento dos­ sonhos e decidiu comprar? Chegou a hora, então, da parte mais burocrática. Este é o momento de sentar com calma, analisar as formas de pagamento, escolher o que cabe melhor no seu bolso e preparar toda a documentação necessária (ver abaixo) para firmar o contrato e comemorar a nova conquista.

“É só seguir o passo a passo de um profissional especialista na área que não tem dor de cabeça”, assegura o corretor de imóveis da JVF, Eric Pereira. A primeira etapa é definir como vai pagar. A melhor forma de liquidar a conta é com um pagamento à vista, pois foge dos juros bancários que costumam chegar a 10% ao ano. Mais isso só é indicado para quem tem uma boa reserva financeira.

“Eu não aconselho raspar toda uma reserva para pagar à vista. A compra de um imóvel não pode ser um projeto que deixe o orçamento todo ocupado, sem margem para imprevistos, principalmente se for funcionário da iniciativa privada ou profisional liberal. Ambos não têm estabilidade e precisam se preocupar, inclusive, com a aposentadoria”, pondera o educador financeiro Ângelo Costa.

Compra a prazo
Mas se não tiver folga financeira, não precisa se desesperar. No Brasil existem duas principais formas de crédito imobiliário: financiamento e consórcio. “Tem que ter em mente que o financiamento é um compromisso que você vai assumir por até 35 anos. Ou seja, vai transitar por quase toda a vida produtiva da pessoa no mercado de trabalho”, ressalta o educador financeiro.

Por isto, “a instituição financeira deverá ser escolhida com muita pesquisa, até porque todos os bancos estão bem agressivos. A concorrência só faz beneficiar o cliente”, pontua Eric Pereira, corretor de imóveis. Para não ficar tão refém dos bancos, o mais seguro, segundo o educador financeiro, é fazer um mix na hora do pagamento. “Dar um sinal significativo e financiar quanto menos puder. Se for possível, no decorrer do contrato, vai liquidando mais parcelas e acaba antes do prazo o financiamento”, sugere Costa.

Neste momento, sobre o prisma financeiro, é interessante considerar utilizar o FGTS para dar entrada em um imóvel. “Se você for uma pessoa disciplinada financeiramente, não pense duas vezes em usar o dinheiro que está guardado no FGTS para dar uma entrada mais significativa. O rendimento é o pior que existe. Perde muitas vezes até para a inflação. Não vale a pena guardar este dinheiro para o futuro se você já tiver um orçamento organizado“, explica.

Para quem não tem dinheiro para dar de entrada ou está sem pressa para comprar um imóvel, uma boa opção é o consórcio. “É uma forma de, obrigatoriamente, fazer uma poupança. Uma forma legal para quem não tem disciplina de poupar. Aí é esperar ser contemplado ou ter um valor extra para dar um lance”, explica o educador.

No consórcio, não há previsão de juros, apenas uma taxa de administração, que costuma ser corrigida anualmente. Este grande atrativo pode trazer uma triste surpresa se não for observado com atenção. “O grande risco, neste caso, é a soma da parcela com a taxa de administração ser maior que os juros do banco. Tem que fazer uma pesquisa e decidir com cautela para o sonho não se tornar pesadelo”, destaca.

Em ambos os casos, o mais importante é não engessar a renda mensal com a compra de um imóvel. “O que vai dizer o que eu posso assumir para a aquisição de um novo bem é a folga no orçamento, que precisa ser de pelo menos 10% após pagar as contas mensais. Este exercício é fundamental. Essa é a fórmula”, explica.  

Taxas extras 
Os gastos com a compra de um imóvel extrapolam as previsíveis prestações mensais e o valor de entrada. É preciso considerar, ainda, as taxas do cartório e o trabalho do despachante. Os custos mais caros ficam por conta do Imposto de Transmissão Inter Vivos (ITIV), que custa 3% do valor do imóvel adquirido, e da Taxa de Registro do Imóvel,  que pode chegar até 1.5% do valor do imóvel. Em caso de primeiro bem, o cliente tem desconto de 50% desconto no registro.

Além disto, o comprador tem que pagar para retirar documentos como o DAJE para Escritura de Compra e Venda. “As pessoas têm que colocar na conta cerca de 5% do valor do imóvel para o momento da entrega da chave. São detalhes que podem atrapalhar a vida financeira do comprador por anos”, alerta o educador financeiro. Em alguns casos, ainda é preciso considerar os valores que serão gastos com reforma e mobília.

Negociação 
“É o momento do comprador. Se tiver com o dinheiro na mão e uma carta de crédito aprovada, ele é um rei!”, brinca Ângelo Costa. Pode ser que você não consiga desconto, mas pode conquistar bons benefícios. Na JVF, por exemplo, as novas unidades estão sendo vendidas com poupança congelada/sem reajuste. “As parcelas que o cliente paga para a construtora durante a obra não sofrem nenhum tipo de correção. Então, traz uma tranquilidade para o cliente saber que a parcela vai permanecer a mesma de quando fez o acordo lá no início de todo o processo”, explica o corretor de imóveis Eric Pereira.

Cuidados e documentação 
Todo cuidado é pouco para o momento de firmar a compra. Antes de assinar o contrato, vale verificar a fundo o histórico da construtora e de seus empreendimentos, assim como saber sobre a saúde financeira do grupo e pesquisar com antigos clientes. “Uma boa relação é aquele que se pauta na boa-fé e no auxílio mútuos, uma relação de empatia e compreensão. Uma boa construtora é aquela que é parceira do adquirente, desde o início. Também é aquela que tem condições de garantir a entrega da unidade”, ressalta o advogado imobiliário Bernardo Chezzi.

É, também, de extrema importância verificar a matrícula do empreendimento e da unidade, caso seja um imóvel novo e ainda não haja o primeiro contrato firmado. Disponível em qualquer cartório, o documento funciona como a memória do imóvel que está comprando. Tudo de mais importante deve estar registrado na matrícula, inclusive o seu compromisso de compra e venda após a assinatura do contrato. “O adquirente de boa-fé só será atingido por dívidas do vendedor ou do imóvel, bem como discussões sobre o imóvel, se estas questões estejam registradas na matrícula do bem”, explica o advogado.

Outra importante dica é previlegiar empreedimentos que tenham patrimônio de afetação, que é a segregação patrimonial dos bens do incorporador para a construção do empreendimento. Isso assegura que, mesmo em casos de falência, o comprador vai receber o imóvel adquirido.

Após assegurar a idoneidade da construtora e escolher a melhor forma de pagamento, basta separar os documentos necessários para efetivar a compra do imóvel. Confira abaixo a lista completa.

Documentação necessária para compra de um imóvel

– Identidade (RG / CNH / órgãos de classe);

– CPF;

– Certidão de estado cívil (nascimento ou casamento. Se for divorciado deve constar averbação na certidão de casamento);

– Comprovante de residência no próprio nome (emitidos pelos Correios no prazo máximo de 30 dias);

– Imposto de Renda completo e com recibo de entrega;

– Três últimos contracheques;

– Se for autônomo/profissional Liberal: Seis últimos extratos bancários;

– CTPS (Se for utilizar o FGTS – Cópia da página da foto, do número do PIS, da qualificação civil, das páginas de registro de trabalho e das anotações);

– Extrato do FGTS atualizado com autorização para saque e carta do empregador (caso queira utilizar);

– Se for compor renda com outra pessoa: Toda a documentação do cônjuge ou cooparticipante;

– Se tiver filhos:  RG e CPF (caso tenham) e Certidão de Nascimento;

– Certidão de quitação de tributos federais (se for comerciante);

– Certidões negativas (Justiça Federal; ações cíveis; executivos fiscais; protesto de títulos; débitos CND/INSS; interdição, tutela e curatela; dívida ativa da União se for comerciante).

Texto: correio24horas