Gastos bilionários que Bolsonaro propõe para a Defesa | Muller Imóveis RJ

Gastos bilionários que Bolsonaro propõe para a Defesa

Gastos bilionários que Bolsonaro propõe para a Defesa

 

Gastos bilionários que Bolsonaro propõe para a Defesa

Cortes em outras áreas em 2021.

Gastos bilionários que Bolsonaro propõe para a defesa – Capitão reformado do Exército, o presidente Jair Bolsonaro encaminhará ao Congresso nesta segunda-feira (31/08) sua proposta de Orçamento para 2021 destinando uma fatia considerável do aumento das despesas às Forças Armadas. Segundo apuração da BBC News Brasil, a proposta incluirá uma previsão de R$ 110,7 bilhões para as despesas primárias do Ministério da Defesa, alta de 4,7% em relação ao aprovado para a pasta em 2020 (R$ 105,7 bilhões).

Caso o valor se confirme, esse aumento de R$ 5 bilhões representará praticamente um sexto de todo o crescimento de gastos que a União poderá realizar. Devido à regra do Teto de Gastos, o limite de despesas primárias (gastos não financeiros) do governo federal só pode crescer no próximo ano 2,13%, o equivalente à inflação acumulada nos 12 meses encerrados em junho. Isso significa um aumento de apenas R$ 31 bilhões, para R$ 1,485 trilhão.

Por causa da pandemia de coronavírus, o governo foi autorizado neste ano pelo Congresso a romper o Teto de Gastos. Mas a regra deve voltar a valer em 2021. Dessa forma, para que o governo garanta em sua proposta de Orçamento um percentual de crescimento maior que a inflação para as Forças Armadas; ele terá que prever cortes em outras áreas.

No caso do Ministério da Educação, a própria pasta reconheceu por meio de nota que a previsão é de corte de R$ 4,2 bilhões em suas despesas discricionárias (gastos primários não obrigatórios) na proposta do governo para 2021, o que resultaria em repasse R$ 1 bilhão menor às universidades federais.

Já a expectativa para a Defesa é que suas despesas não obrigatórias subam em 1,6 bilhão para R$ 11,7 bilhões na proposta a ser enviada ao Congresso hoje, recursos que servirão para investimentos, como novos veículos blindados; submarinos e caças. O restante do aumento (R$ 3,4 bilhões) está comprometido pela expansão das despesas obrigatórias (principalmente salários, aposentadorias e pensões).

A proposta do governo pode ser alterada pelo Congresso

Onde há resistência em autorizar que a Defesa seja beneficiada em relação a outras áreas. Devido à pandemia, o biólogo e divulgador científico Atila Iamarino chegou a ironizar a perspectiva de mais recursos para as Forças Armadas em sua conta no Twitter.

“Início de um sonho: as pessoas vão valorizar mais ciência, saúde e educação. A realidade da pandemia: Ciência, Saúde e Educação vão perder $. Defesa vai aumentar. Pelo visto não é vacina que resolve, são tanques”, postou em 19 de agosto.

A situação se explica pela força dos militares no atual governo — egressos das Forças Armadas ocupam hoje quase metade dos 23 cargos ministeriais, com destaque para o chefe da Casa Civil, general Braga Netto.

“Em princípio, cabe a cada ministro buscar recursos para suas áreas. Mas dentro do governo Bolsonaro, temos uma certa anomalia, em que os militares têm uma força maior, inclusive com influência sobre pastas importantes, como Saúde e Educação”, ressalta o estudioso das Forças Armadas Augusto Teixeira; professor do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Que incluem também veículos blindados, submarinos e aperfeiçoamento da vigilância das fronteiras (Sisfron) com uso de radares, sistemas de comunicação e veículos aéreos não tripulados, já consumiram R$ 47,3 bilhões nos últimos 20 anos e ainda devem exigir mais R$ 83,9 bilhões nas próximas duas décadas.

Projetos

“Os projetos estratégicos não foram invenção do governo atual. São projetos de Estado. Hoje, o que estamos tentando é manter o cronograma que vem sendo atrasados sucessivamente por falta de recursos para evitar que tudo que foi construído ao longo desses governos seja perdido”, argumenta o porta-voz do Ministério da Defesa, almirante Carlos Chagas.

“E outro dado é que os principais aviões, blindados e navios das Forças Armadas estão visivelmente envelhecidos. O KC-390 (novo cargueiro desenvolvido em parceria com a Embraer) vem para substituir o C-130, aviões com mais de 60 anos. Estão voando aos trancos e barrancos; um gasto enorme para manter”, reforça o militar.

Um levantamento do professor Juliano Cortinhas, do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), mostra que; enquanto o gasto com pessoal das Forças Armadas brasileiras tem se mantido em torno de 76% do seu orçamento desde 1999, no caso da França esse percentual tem caído quase continuamente; chegando a 46% em 2016. Ele compara também o tamanho do efetivo dos dois países.

No caso da Marinha, por exemplo, enquanto o Brasil tem 85 mil militares; a França tem 35 mil. Já em termos de navios (fragatas e contratorpedeiros) e submarinos, a frota francesa é o dobro da brasileira.